Lágrimas de Sangue

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E o meu amado,

O que diria se eu partisse?

O que diria se de mim

Nada mais ouvisse?

 

O que faria se em seus braços,

Tivesse um corpo sem vida?

Uma alma que vagasse,

À procura de uma paixão perdida.

 

Pois a carne fria que ele toca,

Não passa do fantasma do que foi um dia.

Um zumbi sem alma e sem emoção,

Só um corpo se desfazendo em agonia.

 

Esqueçamos de uma vez o que passou,

A paixão e o tormento.

Em breve tudo estará consumado,

Minha agonia e o teu casamento.

 

Enquanto meus lábios silenciam o tormento,

Minha paixão alimenta o teu romance.

Meu coração se rompe num choro amargo,

E a culpa me impede que o alcance.

 

Guardo em segredo minha dor,

Para não doer em coração alheio.

Amo-o, mas este amor não me pertence,

Somente àquela a quem estes versos não leio.

 

Sei que quanto mais palavras eu despejar da minha alma,

Mais distante o lançarei dos meus braços.

Mas teus pés se fizeram paralelos a uma trilha,

Que me obriga a ficar longe dos teus passos.

 

As gotas de sangue que assinam estas palavras,

São as lágrimas derramadas por meu coração.

São provas únicas do quanto me fez sofrer,

Testemunhas da tua traição.

 

E quando um dia formos julgados,

Você será réu da minha confusão.

Que te condenem sem apelo e sem recurso,

Que o nomeiem culpado pela minha obsessão.

 

Mas enquanto o juízo não chega,

Aguardo em silêncio que esta dor desapareça.

Pois sei que também serei culpada,

Porque te amei com corpo e cabeça.

 

Se o corpo e a cabeça são fracos,

Desejando reviver esta paixão,

A alma deseja, inutilmente, tirar do pensamento,

Quem se recusa a abandonar o coração…

 

 

Este poema faz parte do meu romance Alma de Rosas.

Publicado também no site Mais Íntimo.

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